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Cicatrizes

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Unem-se à minha alma e à minha memória pedras e cicatrizes, estas as da minha história.

A dor real ou imaginária, as decepções, os sonhos que nunca realizei, os amigos que não vi  mais,  os meus mortos queridos, os amores perdidos que julguei serem meus.

E as cartas que nunca vieram? Mensagens não respondidas, ligações não atendidas, coisas pequenas e sentimentos grandes que roubei -  mesmo que em pensamento – as fotos que não tiramos juntos, os filmes que não assistimos.

Ah, os livros que não pudemos ler!

Tantas são as cicatrizes! Estão próximas umas das outras e se sobrepõem para formar uma casca horrível. A sensação é inquisidora, suspeita, não há meios para começar outra vez.

Talvez amanhã. Abandonam-me as esperanças.

É fácil dizermos que esquecemos tudo, mas quanto engano, ninguém se esquece de sua vida, e leva com ela toda a experiência  que pulsa no corpo, na mente, na alma.

Eu até posso sorrir para os momentos de felicidade que tive no passado, mas eles nunca mais irão se repetir. Tudo será diferente. O que me fez feliz uma vez perdeu-se no tempo e agora então a alegria será outra, com outra sensação, com sabores diferentes.

Eu sei. Se deixar as cicatrizes crescerem muito, elas me cobrirão o peito e, por vezes, não me deixarão respirar.

Porque elas me falam sobre o mundo perfeito que está além de mim, impalpável.

É preciso recomeçar. Deixar o perdão tocar o passado e as cicatrizes.

É bom ter um copo para beber, mas a água a escorrer entre as mãos é o que faz o meu paladar mais apurado.

E, sabe, até  acabo esquecendo as cicatrizes que brotam cristalinas no meu corpo.

Afinal, viver é mesmo cobrir-se de cicatrizes.

 
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Publicado por em 24/02/2012 em poesia

 

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Cores exóticas tropicais

”Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores”.

[Cora Coralina]

açucena

 chuva de ouro

orquídea

antúrio

flor de pau-brasil

flor de maio

flor de são miguel

bromélia

primavera

orquídea

orquídea roxa

orquídea rosa

ipê amarelo

ipê rosa

rosa

flor de bananeira

flor de urucum

tulipa

vitória régia

helicônia

lírio

manacá da serra

manacá e espatódia

manacás e espatódias

‘Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?’

[Machado de Assis]

Flores tropicais / Brasil

foto: vitória-régia: web

outras fotos: by me

 
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Publicado por em 23/02/2012 em poesia

 

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Queda livre

Um dia, perguntaram-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Há muito tempo, antes de muitos deuses terem nascido, acordei de um sono profundo e vi que as minhas máscaras tinham sido roubadas. Corri sem máscaras pelas ruas cheias de gente, gritando:

- Roubaram, roubaram as minhas máscaras!

Homens e mulheres riram de mim e alguns até correram para casa, com medo. Quando cheguei à praça, um garoto que brincava no telhado de uma casa gritou:

_ É um louco, vejam, um louco! – e apontava-me o dedo.

Olhei para cima a fim de vê-lo. O sol beijou a minha face nua, pela primeira vez sem máscaras, e o calor dos raios fascinou-me. O azul do céu era infinito em todo o seu esplendor e eu encorajei-me a seguir em frente pela vida, sem máscaras.

Encontrei liberdade e segurança em minha loucura. Porque ser compreendido, escravizaria alguma coisa em mim. Eu teria de voltar a usar máscaras.

Foi assim que me tornei louco.

O louco, do escritor Gibran Khalil, é uma obra de literatura árabe, cuja mensagem nos faz pensar sobre o ser ou não ser louco e sobre usarmos máscaras.

Nestes tempos  em que vivemos, louco mesmo,  é aquele que não se incomoda com seus demônios ou com suas diferenças, ao contrário, segue os seus passos, não os dos outros.

Esse famoso conto serve como metáfora que se confunde com a realidade de muitas coisas: o egoísmo exacerbado, a concorrência feroz, a frieza, a solidão, a insensibilidade e a violência afetam mais nossas almas do que nossos corpos.

Ele nos ensina a viver pela conquista da paz interior, através da simplicidade dos nossos atos, cuja fonte é a natureza e sua inspiração.

E nos reconforta nessa triste época de perplexidades, sem medo de mergulharmos em nossos sonhos mais loucos, mesmo que em queda livre.

Afinal, é preciso não deixar nunca a eterna paixão pela vida e esse incalculável desejo de viver a infinita criação,com suas tramas envolventes e seus  dilemas shakesperianos modernos, aqueles  de ser ou não ser!

[livre adaptação de O louco - Gibran Khalil Gibran]

[imagem by Monica Fadul]

 
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Publicado por em 21/02/2012 em poesia

 

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Charles Dickens e as Grandes Esperanças

Há 200 anos, quando Charles Dickens nasceu, havia poucos romances publicados na Grã-Bretanha. Em 1836, aos onze anos, Dickens deixou a vida de garoto pobre marcada pelo trabalho num curtume,  para casar-se com a filha de um banqueiro e tornar-se um escritor profissional, nacionalmente conhecido.

Charles Dickens é popular por ter escrito um dos mais emblemáticos romances da literatura inglesa. Publicou em 1860, em capítulos pelos jornais como as séries de TV, o romance “Grandes Esperanças”, considerado uma obra  perfeita por ter atingido o difícil equilíbrio entre a realidade e a fantasia, a crítica social e o melodrama, com temperos de uma bem-humorada reflexão sobre o destino humano.

No cinema, “Grandes Esperanças” conta a história de um jovem artista apaixonado por uma bela mulher que é extremamente fria com ele. O filme é a modernização do clássico órfão, Bell e seu amor por Estella, criada por uma mulher cruel, que busca vingança contra os homens por ter sido abandonada à beira do altar, e o misterioso benfeitor que muda o destino do rapaz. Com Ethan Hawkee e Gwyneth Paltrow.

Seu “livrinho de Natal” – “A Christmas Carol” – tornou-se um dos maiores clássicos natalinos de todos os tempos.

Os escritos de Charles Dickens foram publicados em parcelas mensais que mantinham o público ansioso para o próximo capítulo. Fórmula muito conhecida por aqui, desde Machado de Assis.

Com “The Pickwick Papers”, Dickens  beneficiou-se da grande tiragem dos tabloides populares vendidos por centavos  e chegou a vender 50 mil cópias do folhetim. Um exagero para a época.

Seu corpo está na Abadia de Westminster contra  vontade dele, pois preferia ter sido sepultado de maneira simples, onde os fãs pudessem homenageá-lo. Era “simpatizante do pobre, do miserável e do oprimido”.

Entre os seus maiores clássicos estão “David Copperfield”, obra considerada autobiográfica, e “Oliver Twist”.

Veja algumas frases célebres atribuídas a Charles Dickens:

 “Cada fracasso ensina ao homem algo que ele precisava aprender”.

 “Qualquer pessoa é capaz de ficar alegre e de bom humor quando está bem vestida”.

 “Nunca nos devemos envergonhar das nossas lágrimas”.

 “Um homem nunca sabe aquilo de que é capaz até que o tenta fazer”.

 “Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada”.

 “Ninguém pode achar que falhou a sua missão neste mundo, se aliviou o fardo de outra pessoa”.

Charles Dickens também teve seus romances adaptados para o teatro. E continua a ser um dos mais geniais criadores da literatura mundial de todos os tempos, sendo dificilmente superado na popularidade e acessibilidade de sua escrita.

 

 
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Publicado por em 07/02/2012 em poesia

 

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Tens medo?

Lembre-se de esquecer o medo trancado na gaveta.

Jogue fora as chaves.

Medo é para gavetas.

Longe da vida.

(Van Luchiari)

http://www.vanluchiari.com.br

 
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Publicado por em 03/02/2012 em poesia

 

Wislawa Szymborska e as três palavras mais estranhas

Quando pronuncio a palavra Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não-ser.

Wislawa Szymborska – Prêmio Nobel de Literatura
(2/Julho/1923-1/Fevereiro/2012)
 
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Publicado por em 02/02/2012 em poesia

 
 
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